Pregador, não só no púlpito, mas sobretudo na vida prática, visando levar seus ouvintes a viver o evangelho e mostrando a todos como viver uma vida agradável a Deus

Pastor Abram Dück

edição especial que visa relembrar e homenagear um homem que dedicou sua vida para servir ao Senhor Jesus no meio menonita e a sua nova pátria, pregando, ensinando e colocando em prática aquilo que ensinava e pregava. 

 

Agradeço à colaboração de seus ex-alunos e admiradores nos textos que seguem abaixo como também a seu filho Paul por disponibilizar as fotos e informações.

Certamente há outros admiradores que gostariam de prestar sua homenagem. Contribuições podem ser enviadas para o whatsapp indicado acima!

 

Dados biográficos

  • Infância na Rússia 1923 – 1929

  • Saída da Rússia em 1929 e vinda ao Brasil em 1930

  • Moradia na região do Rio Krauel 1930 – 1937

  • Mudança para Curitiba em 1937

  • Estudos nos EUA: 47- 53

  • Tabor College, Goshen College

  • Professor no Ginásio Erasto Gaertner de alemão, inglês, ensino religioso e história.

  • Estudos em Fresno e no Wheaton College de 1959-1961

 

 

 

 

 

 

 

 

Casamento com Doris Harder no dia 29 de dezembro de 1959

  • Novamente professor no Erasto Gaertner e outros colégios da cidade por 33 anos

  • Nascimento dos filhos Paul, Arthur e Hugo

  • Ordenação pastoral em 1964

  • Liderança pastoral da Igreja Irmãos Menonitas do Boqueirão nos períodos 1978-1979; 1981-1984; 1988-1990.

  • Morte no dia 15/06/2020, em Curitiba, aos 96 anos

 

 

 

 

 

 

 

 

Pr. Francisco Gortz, da Igreja Família Cristã, atendeu o pedido com este texto:

O meu melhor Professor!


    O Professor Abrão certamente foi o melhor Professor que eu tive. Foi meu Professor no Ginásio, até quando completei 15 anos de idade. Depois disto comecei a trabalhar num Banco e cursei o Científico e a Faculdade. No entanto, não encontrei
Professor com a mesma didática e a capacidade de influenciar.
     Mesmo, ao longo da carreira profissional, na formação em cursos de linguagens de programação para computadores e de desenvolvimento de sistemas, não encontrei um como o
Professor Abrão.
    Eu havia me convertido a Jesus, confessando publicamente a minha fé, aos 9 anos de idade. E no período do Curso Ginasial, aos 12 anos de idade fui batizado nas águas e recebido como membro da atual Igreja da Cruz Verde.
   Desta forma, eu convivia com o Professor Abrão na escola e na igreja local, onde ele era um dos pastores. Na escola, Ginásio Erasto Gaertner, além dos conteúdos das
matérias, aprendi com o Prof Abrão sobre ética e integridade.
   Também influenciou-nos com a visão de mundo, visão política que tinha depois de ter estudado e se formado nos Estados
Unidos. Visão conservadora e de dedicação ao desenvolvimento profissional e no trabalho intenso e com excelência.
    Na escola tínhamos com ele as matérias de Inglês, Alemão e Ensino Bíblico em alemão, com o mesmo nível de qualidade
nestas diferentes áreas.
O livro-texto da matéria de Ensino Bíblico era a Bíblia! Num dos anos apresentou-nos a “Harmonia dos Evangelhos”, um estudo abrangente e comparativo dos 4 evangelhos. Ao final do período tínhamos a tabela comparativa registrada em nossos cadernos, isto na primeira metade da década de 60, nós ainda adolescentes!
    Planejei ser um Professor como ele e na Faculdade cursei Matemática, no entanto o meu caminho profissional não foi para o magistério. Vejo o período no Curso Ginasial como a formação fundamental para a minha vida, tendo o Professor Abrão como a maior influência.
    Na tarde, na qual ele faleceu, duas horas e meia depois, pela janela da sua casa, pude vê-lo deitado na cama do casal,
repousando merecidamente, tendo ao lado, sentada numa cadeira, a sua preciosa e altamente valorosa esposa, a Tante Doris.
    Na entrada, no portão da casa, eu havia sido recebido por dois dos netos do Professor Abrão e conversarmos um pouco. A neta comentou que as pessoas diziam que ele havia sido um “professor muito bravo”. Disse-lhe que, como seu aluno, eu
sabia que não, pois, disse-lhe, eu o considerava com um Professor corretíssimo e dedicado que, no entanto, se indignava quando encontrava alunos não comprometidos, não dedicados, que não faziam uso da oportunidade que tinham.
    Por onde anda, assim reflito, o nosso inconformar-nos com a falta de zelo, a falta de dedicação, tanto quanto às
oportunidades que temos, assim como ao chamado gigante que é a dedicação ao nosso Senhor e ao Seu Reino e ao
próximo?

O Pastor Abram Dück

e o ministério profético

Os textos redigidos sobre o Pr Abram Dück o descreveram como uma pessoa por vezes não compreendida, em determinadas situações ou por alguém que conviveu com ele.

Considero que facilitaria se o avaliássemos dentro do ministério no qual caminhava.

Temos a tendência humana de utilizar a mesma régua para avaliar todas as pessoas e em quaisquer situações. No entanto, ao fazê-lo com relação a ministros da Igreja temos o privilégio de realizá-lo sob outro prisma.

Em Efésios 4.11,12 o Apóstolo Paulo ensina: “E ele mesmo (Cristo) concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas e para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo".

Em 1 Co 12.14,21a o mesmo Apóstolo ensina: “Porque também o corpo não é um só corpo, mas muitos. Os olhos não podem dizer à mão: “Não precisamos de você.”Não somos iguais! Somos diferentes uns dos outros! O mundo diz: “Vamos deixar as diferenças de lado, e unir-nos!”Os políticos o fazem conforme o interesse de plantão, e você sabe o que eles acabam fazendo!Na Igreja devemos dizer: “Vamos unir-nos nas nossas diferenças, em Cristo, para a Sua causa!” Assim, nos submetemos uns aos outros!A união no mundo é comparável à roda do ciranda, cirandinha, de mãos dadas dançando em torno de si mesmos.Na Igreja a união é comparável ao cacho de uvas: todas as uvas ligadas ao caule, dependendo do Senhor, formando um lindo todo.O ministro como o Pr Abram Dück que, a meu ver, caminha no ministério profético será incompreendido. O profeta Jeremias era compreendido, sempre aplaudido, sempre apoiado? Não!É dito do Pr Abram Dück que ele dizia o que precisava ser dito. É característica do ministro que caminha no ministério profético!

O sentido neotestamentário de ministério profético enfatiza-o não destacadamente como o que prevê acontecimentos, mas o que enxerga, “cheira”, que algo está errado ou levará ao erro. E ele apontará o erro e dirá: “está errado!” ou “não vai dar certo!” E ele não é compreendido, é ‘do contra’. Ele conhece opadrão e denuncia quando algo está fora do padrão. E, assim, ofende, chateia, magoa alguém. Porém, segundo Paulo escreve, é “para o aperfeiçoamento dos santos”! Para o nosso aperfeiçoamento!Outra característica do Pr. Abram Dück: ser simples, sem luxo, dizer: “Vocês estão gastando demais!” É porque ele, a meu ver, caminhava no ministério profético.O profeta João Batista se vestia como? Comia o quê? E via os fariseus e suas roupas finas e mandava que dividissem o que tinham com os pobres! Então, significa que somente o Pr Abram Dück estava certo e os outros errados? Não! Caminhamos em ministérios variados.Somente Jesus caminhou em todos os ministérios. Nós dependemos uns dos outros “com vistas ao aperfeiçoamento dos santos”. Nós nos doamos para que o aperfeiçoamento da Igreja ocorra! Caso contrário ela seria uma aberração. Mas não é. É linda! É a noiva do Cordeiro!O ensino do Pr Abram Dück era “feijão com arroz”? Eu não considerava assim, mas sem problemas! Tínhamos também o Pr Willi Janz!Éramos limitados no ministério evangelístico? Sem problemas!

Chamávamos o “groutih Onkel Niefild” do Canadá. E eu me converti, menino de 9 anos impactado pela conversão da minha mãe Elizabeth, antes, no mesmo ano, no leito de morte do meu avô Prediger Franz Kröker. Ou chamávamos o Janz Team. E dezenas se convertiam, entre elas a minha esposa Lizete, ainda moça. E celebrávamos grandes batismos nas águas!Mas os nossos ministros não poderiam fazê-lo?! E não gastaríamos o dinheiro para trazermos os irmãos e alugar o Ginásio de Esportes do Tarumã? Pois é, somos limitados!Como no corpo, a mão sabe pegar, mas não sabe onde! Depende do olho!Ah!, se comparássemos menos e dependêssemos eaprendêssemos mais uns dos outros e, juntos, do cabeça da Igreja, Jesus Supremo Pastor, amado Pastor e Supervisor das nossas almas!

 

 

 

 

 

 

 

Paul Gerhard Dück, o filho mais velho do pastor Abram Dück, pregador e líder por muitos anos da mesma igreja, escreve:


O legado que meu pai deixou para mim

 

Cumprir promessas além da vida

    Uma das histórias mais marcantes para minha vida foi um acontecimento quando meu pai tinha 3 anos de idade, ainda na Sibéria, Rússia. Seus pais moraram na casa dos seus pais até construírem a sua casa própria. O verão lá era muito curto, aproximadamente 2 meses e neste ano específico, enquanto estavam construindo sua casa, o verão foi ainda mais curto, o frio entrou mais cedo e a sua mãe pegou tuberculose, para a qual não tinha cura. Quando os médicos já não tinham esperança de cura, ela pediu a seu marido: “Leve-me para casa! Eu quero morrer junto de meus filhos.”

    Um dos últimos dias antes de partir ela pegou meu pai, sentou-o junto a cabeceira da cama e disse que tinha o desejo de vê-lo crescer e se tornar um homem, mas que Deus havia decidido diferente. E lá pediu para meu pai, com apenas 3 anos de idade, que prometesse duas coisas: que aceitasse a nova mãe como se fosse ela e segundo, que ela iria revê-lo no céu.

   Ela já tinha acertado com sua melhor amiga de que quando ela falecesse, seu marido iria pedi-la em casamento e que ela aceitaria. Ela teve cuidado com seu esposo e com os filhos até o final, com a clara expectativa de revê-los na eternidade.

   Toda esta história meu pai, com 84 anos, me conta em detalhes na Sibéria junto a árvore onde minha avó foi sepultada, relembrando a cena e narrando como se tivesse sido ontem.

   Meu pai cumpriu a primeira promessa ainda jovem e a segunda ele cumpriu duas semanas atrás. Esse legado do meu pai e dos meus avós não vou esquecer nunca.

 

Um peregrino a serviço do Senhor na igreja e na Comunidade

 

Meu pai escreveu sua autobiografia com este título. Meu pai usou os dons que Deus lhe deu intensamente para servir na igreja e na comunidade.

 

Abençoar pessoas com os frutos do trabalho e da terra

          Quando eu era menor eu não entendia, ele plantava milho, mandioca, hortaliças, arvores frutíferas, cuidava, limpava e pedia para nós filhos ajudarmos e principalmente eu como filho mais velho. E quando chegava na hora de colher, ele dava os frutos para os vizinhos e pessoas necessitadas. Eu, dentro de mim, não concordava. Nós trabalhamos e outros usufruíam do fruto. Eu achava injusto até entender que quanto mais ele abençoava outros, mais nós éramos abençoados.

 

Dialogar sobre questões de igreja enquanto trabalhava

   Como o pai era professor e tinha muitos alunos bons e outros não tão bons, ele acumulava um certo stress durante a semana e para não descontar na família, no final de semana ele ia capinar no quintal e lá ia eu junto. Ele capinando três fileiras e eu uma, e volta e meia ele me ajudava na minha ainda. E vocês deveriam ver como o capim voava. Enquanto trabalhávamos eu e ele conversávamos sobre os desafios, as dificuldades no trabalho da igreja. Algumas vezes ele ficava pensativo com algumas ideias e colocações minhas e outras vezes ele dizia, não, não, não. Quando você crescer e estiver na obra, você vai perceber que não é bem assim como você pensa. Ter um pai aberto a ideias loucas, não as descartar, analisar outros pontos de vista e considerá-las foi uma lição de vida que levo por onde eu for.

  

Humildade e simplicidade

    Meu pai sempre foi uma pessoa humilde e simples. Isto se caracterizava na sua acessibilidade e disponibilidade para fazer qualquer trabalho.

    Quando foi aos Estados Unidos para estudar ele buscou levantar fundos para seus estudos e não deixou de aceitar qualquer trabalho, por mais simples que fosse. Enquanto professor, nos intervalos entre aulas na escola, em vez de ficar entre os professores, ele estava interagindo com os alunos.

    Ele não andava na moda, nem nós como filhos, mas de forma apresentável. Ele dizia, não vamos gastar dinheiro bom com coisa ruim. Nós poucas vezes íamos para um restaurante, ele dizia que o melhor restaurante é em casa. Nas viagens missionárias ele não deixava de cumprimentar ninguém e para ele não tinha distinção de pessoas ou classes sociais.

    Qual o impacto que isso teve sobre mim, foi de que mesmo que profissionalmente estive atuando em altas esferas, onde eu me sinto mais a vontade, era nos lugares simples e humildes. E eu buscava na simplicidade chegar no coração das pessoas.

 

Trabalhos em prol da comunidade

     Ele tinha uma visão para a expansão do Reino. Vamos implantar um acampamento para as igrejas. Me lembro que ele estava na comissão que visitou uns 11 lugares antes de comprar o terreno no acampamento Bethel. É claro que fui junto em todos eles.

     Depois da compra, fomos por muitos sábados como família para limpar o bosque, plantar grama no campo de futebol. O local se tornou um dos lugares da comunidade onde ocorreram o maior número de conversões. Que trabalho abençoado para abençoar outros!

 

Cuidado com a família

    Quando eu nasci, a cama para a primeira noite foi a escrivaninha de trabalho dele. Meus pais ainda não tinham comprado um berço. Acredito que já na primeira noite foi dada a direção para minha vida, trabalho.

    Como o pai sempre foi um homem público e precisava estar entre pessoas, quem cuidou da nossa educação foi a mãe. Mas por inúmeras vezes saíamos para passear nos finais de semana.

    Ele organizava praticamente a cada dois anos uma viagem da minha mãe para os EUA para visitar a sua família e quando era possível, viajava junto com ela. Ele se preocupava com os nossos estudos, sempre provendo material informativo para nós.

    Como ele sempre gostou de música, foi por anos que tocou o órgão de fole (harmônio) na antiga capela do Erasto nos cultos. Ele nos serviu de exemplo. Mas como ele não teve a oportunidade de aprimorar muito este dom, proveu a oportunidade para nós aprendermos a tocar instrumentos. Ele comprou muitos instrumentos musicais, acredito que chegamos a ter mais de 15 deles em casa. Aprendemos ritmo, sincronismo, interpretação, harmonia, persistência, trabalho em equipe, etc. que em muito ajudaram na vida profissional e ministerial.

 

Vida de professor

     Ele tinha paixão por ensinar. Como professor não queria apenas ensinar o conteúdo aos alunos. Ele queria passar valores e experiência de vida. Ele era um professor exigente e por isto durante o período de escola ele tinha alunos que não gostavam muito dele. Mas depois de saírem das escolas e entrarem no mercado de trabalho sua opinião mudava. A quantidade de vezes que estive com o pai vendo pessoas cumprimentando-o e dizendo que eles tinham sido impactados pelas suas aulas confirmava de que vale investir naquilo que traz retorno futuro.

    Não vale a pena entrar em todas as batalhas, mas sim naquelas que trazem resultado duradouro. Esta sabedoria continuo tentando colocar mais e mais em prática.

 

Pastor coordenador da igreja

    Foi eleito pastor da igreja três vezes. Não fez esse trabalho com muita alegria, porque incluía a administração da igreja, o que definitivamente não era o seu ponto forte. Ele vivia com receio de cometer erros que pudessem causar atritos, ou mesmo divisões. Evitava sempre colocar uma questão em votação, quando notava que havia divergências significativas a respeito.

    Ele sempre agradeceu a Deus, que Ele o protegeu de erros muito graves e de fracassos. Houve falhas em seu trabalho. Cometeu muitos erros, mas Deus perdoa, quando reconhecemos nossos pecados. Olhando o seu passado, ele pode dizer: “Deus foi muito bom para mim.” Por várias vezes, mesmo em idade avançada, eu pude acompanhá-lo pedindo perdão onde ele tinha machucado pessoas mesmo que não tinha sido intencional.

   Também errei muito desempenhando a mesma função, mas o exemplo dele de pedir perdão a Deus e a outros foi seguido por mim em várias vezes que estive na mesma situação.

 

Trabalho nas convenções de igrejas

  Meu pai sempre acreditou que juntos somos mais fortes. O mesmo valia para a cooperação entre líderes e igrejas. Ele lutou contra o uso do poder nas instituições. Ele tinha convicção de que existem muitos líderes com dons diferentes que são usados por Deus para liderar suas igrejas e que precisam de um cuidado e treinamento para poder desempenhar melhor suas funções.

    Ele foi eleito para liderar a associação das igrejas. E lá estou eu, trilhando o mesmo caminho tendo uma paixão para trabalhar com estratégias que fortifiquem as igrejas da denominação.

  

Relações públicas para pessoal vindo do exterior

   Pelo fato de ele ter estudado nos Estados Unidos, e ter viajado por todo país, incluindo o Canadá, Alemanha, Rússia, qualquer pessoa do exterior, que passasse por Curitiba, precisava dar uma parada na casa dos pais. Eram principalmente pessoas envolvidas com missões e ministério.

    Isto foi extremamente enriquecedor para mim, ouvindo histórias comoventes e dificuldades sendo enfrentadas. Isto ajudou muito para expandir minha visão de mundo e tem sido muito gratificante usar este entendimento nas visitas a tantos países, igrejas, culturas que eu pude fazer pelo mundo.

  

Fazer algo com convicção e excelência

   Nem sempre houve a vontade de entrar numa nova situação, em um novo projeto. Mas depois de tomar a decisão, aí significava fazer a tarefa com convicção e excelência.

    Ele não tinha medo de trabalhar e enfrentar situações novas. Ir para os Estados Unidos quando jovem não foi o que ele queria, pois não tinha a escolaridade requerida, nem falava uma palavra em inglês. Mas depois que a decisão estava tomada, decidiu avançar com convicção, mesmo que o motor do avião, em pleno voo, em direção aos EUA tenha pego fogo.

   Em três meses meu pai estava falando inglês. Ele sempre nos incentivou a aprender novas línguas, pois ele dizia: o homem vale pelas línguas que fala. As línguas estrangeiras sempre me ajudaram em toda caminhada profissional e ministerial a estabelecer pontes para o coração das pessoas.

 

Paixão pela área social

   Meu pai teve uma infância muito pobre e sofrida, quando da chegada em Santa Catarina em 1930. Isto o levou a ter compaixão pelas pessoas necessitadas. Quantas casas ele ergueu para ajudar pessoas sem moradias?! Ajudou com alimentos onde havia necessidade? Nos últimos anos ele era conhecido como homem bolacha, por causa da quantidade de bolachas de mel que ele doou para auxiliar em projetos de assistência espiritual e social.

    O impacto para minha vida pessoal tem sido de perguntar, por que eu não nasci na Rússia ou então na África? Para ser benção para estas pessoas e muitas outras.

 

Paixão por missões

   Meus pais tinham uma paixão por acompanhar trabalhos missionários, dando apoio aos missionários, identificando e ajudando nas suas necessidades mais urgentes. Nós como filhos sempre éramos convocados a ir junto e tocar nossos instrumentos musicais nos cultos das igrejas missionárias. Nossos primos e amigos ficavam jogando futebol enquanto nós tínhamos de ir para as igrejas para servir. Eu achava isto muito injusto, mas hoje eu vejo isto como um investimento nas nossas vidas e na visão para a obra.

    Hoje uma das minhas paixões é de visitar igrejas missionárias e conversar e aconselhar pessoas.

Paixão pela nossa história

    Meu pai ensinou história menonita no Erasto. Mas muito mais do que ensinar, ele compartilhou de como Deus conduziu o povo menonita através da história. E ele, sendo um contador de histórias por natureza, conseguia dar vida às histórias que ele tinha pesquisado, mas muito mais as que ele tinha pessoalmente vivido. Ele extraiu os valores e o aprendizado para sua vida pessoal e as compartilhava.

    Interessante que eu também me apaixonei pela história de Deus na nossa vida e como meu pai comentava, quem conhece sua história também se conhece.

  

Pregação da Palavra

   Um dos dons que Deus deu ao pai foi de ensino. Isto não se resumiu ao ensino secular. Isto também tinha a ver com o espiritual. Quando jovem, ele já começou a ensinar na escola bíblica dominical. Mas praticamente não tinha jovens que faziam isto. Então, para não ser percebido pelos anciãos que poderiam questionar isto, ele, depois da aula, pulava para fora da janela da sala para escapar sem ser visto. Esta paixão já estava cedo dentro do coração dele.

    Me lembro que as mensagens eram repletas de histórias usadas como exemplos para facilitar o entendimento da Palavra. Ele trouxe dos Estados Unidos um projetor de slides com as histórias bíblicas que não apenas facilitava o entendimento das crianças, mas dos adultos.

   Uma das histórias que mais me impactou foi aquela dos 5 missionários que foram mortos pelos índios aucas no Equador e que tinha uma trilha sonora gravada. Eu mesmo usei este “filme” por muitas vezes em vários lugares, inclusive usando como testemunho quando estava estudando no Cefet.

  

Encerrando, haveria muito mais aspectos a serem levantados. Ele amou Deus acima de tudo e ao próximo como a si mesmo. E isto o impulsionava para cumprir a grande comissão de levar o evangelho aos outros, fazendo discípulos que novamente fazem novos discípulos.

   O que me chama a atenção é o quanto eu segui nos passos dele. Como é importante dar o exemplo a ser seguido. Quanto é verdade o ditado, tal pai, tal filho. Embora eu acredito que o sapato dele era grande demais para meu pé, acredito que Deus tem usado ele para impactar pessoas no seu tempo, e está me usando, nas minhas limitações para também impactar pessoas no nosso tempo. A tarefa que Deus dá a cada um de nós é singular.

 

A marca deixada é de um servo que se deixou ser usado por Deus, que mesmo com falhas, foi usado por Deus para impactar uma comunidade no seu tempo e ser um exemplo para a minha vida pessoal. Ele combateu o bom combate e guardou a fé. Meu desejo é que também eu seja encontrado fiel, combatendo o bom combate e guardando a fé.

 

Paul – 26/06/2020

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Perguntei a seu filho Dr. Arthur Wesley Dück, professor de teologia na faculdade fidelis:

 

Como é ter um pai desses?

 

Segue a resposta dele

    Meu pai foi fruto do seu tempo, como todos os outros – precisamos enquadrá-lo em sua época e a partir daí podemos analisar o que representou tanto de modo positivo quanto negativo.

  1. Educado pelo seu pai que sabia muito bem o que queria, e tinha que ser rápido. Quando seu pai pedia algo, não deveria ir, mas correr para fazer o que tinha sido pedido. Assim o pai tinha pressa de fazer as coisas. Não tinha muita paciência para ficar ouvindo os problemas por muito tempo. Sua mentalidade era mais prática. Não ficava filosofando sobre o problema, mas pegar a mão na massa e resolver as coisas. Isso também se mostrava em sua maneira de pregar, sempre repleto de ilustrações – talvez até demais – mas isso gerava contato com as pessoas.

  2. Pique de trabalho. Em diversos sentido o pai foi um trator – fazia as coisas com um pique forte e as pessoas tinham de acompanhá-lo. Quando o Acampamento Bethel foi comprado, muita coisa precisava ser feita e diversos mutirões foram organizados para por o lugar em condições de uso. O pai que sempre mexeu na terra, enxada, machado etc., sempre estava envolvido. Tinha um coração para esse trabalho e o que precisava ser feito era pra ontem. Isso tinha 2 lados: de um lado as coisas andavam a um passo acelerado, mas por outro pessoas com menos pique do que ele no trabalho braçal se ressentiam de sua maneira de incentivar/cobrar o trabalho e envolvimento deles.

  3. Prioridades bem definidas. Não tivemos televisão em casa até eu ter em torno de 15 anos. É claro que os filhos não gostavam, porque os amigos falavam dos filmes, e nós não sabíamos do que estavam falando. Por outro lado, livros não faltavam em nossa casa, nem ênfase sobre música e estudar. Desde os 7 anos estudei violino e meus irmãos não foram diferentes. Ele sempre trabalhou como professor, mas seja o que mais viajou. O pai era relacional e gostava de encontrar as pessoas. Assim fez muitas viagens para o exterior para encontrar pessoas que havia conhecido em seus estudos, conferências, parentes etc. Pessoas eram mais importantes que coisas. É verdade que viajava sem esbanjar, mas viajava, e muito.

  4. Ajuda social. No dia do sepultamento uma pessoa se aproximou de mim e me contou algo que não sabia. No passado, em condições financeiras boas, acertou com o pai de entregar um salário mínimo para que o pai usasse o dinheiro para ajudar pessoas necessitadas. O pai pegava o dinheiro e construía uma casa ou um banheiro para pessoas de classe baixa. Certo dia esse doador perguntou ao pai o que estava fazendo. Ele respondeu que estava trabalhando de servente de pedreiro. Contratava um pedreiro e ele trabalhava como servente. Não tinha medo de trabalho algum. Em outra situação passava pela rua e viu que uma pessoa havia cavado uma fossa, mas estava um pouco insegura como colocar os tijolos. Imediatamente pulou no buraco e pediu para que alcançassem os tijolos e ele os colocava dentro do buraco como tinha aprendido a fazer. Nem se falava de cobrar algo por aquilo – era um prazer poder ajudar e não pensava duas vezes – havia oportunidade e necessidade, tô dentro. É claro que essa prontidão e presteza de ajudar também tinha o outro lado. Um dia estávamos pintando a minha garagem, eu e ele. Como tudo precisava ser rápido passou com o rolo de tinta sobre o espelho do interruptor. Quando vi aquilo peguei o pano e limpei e mostrei para o pai o que havia acontecido. Continuamos a pintura. De certo achou que perto do interruptor faltou um pouco de tinta e passou mais uma vez o rolo por cima do espelho. Limpei mais uma vez e continuamos a pintar. Alguns minutos depois estava olhando o trabalho e vi que o espelho tinha sido alvo de mais uma pintura. Está até hoje com tinta...

  5. Interesse por missões. Os pais sempre tiveram grande interesse em missões. Isso também se devia a minha mãe ter sido missionária na Colômbia. Mas o envolvimento deles com a obra missionária sempre foi muito intenso. Isso experimentamos como filhos que íamos junto com os pais para tocar nossos instrumentos e participar de cultos em locais tanto em Curitiba quanto no estado vizinho. Nem sempre íamos com vontade, porque não era bem opção, era dito que íamos, e fim de papo. O envolvimento deles não só levou a apoiar igrejas com a pregação da Palavra, mas também com empréstimos financeiros para diversas igrejas. O pai queria ver o trabalho indo para frente. Às vezes como filhos o alertávamos que o dinheiro era dele e ele fazia o que queria, só deveria contar que talvez não retornasse. Mas isso parece que não o impedia de continuar investindo, mesmo com a frustração de que às vezes o dinheiro ir a fundo perdido – pelo menos do lado humano.

Como foi ter um pai como esse?

     É difícil responder porque só tive esse pai, não teria como comparar com outro. Diversos aspectos foram absorvidos dele. Seriedade com Deus, preocupação com o próximo, vida simples, economizar para poder contribuir, envolvimento na obra de Deus certamente deixaram a marca em mim. Seu lado severo com os alunos na escola, às vezes levava a xingamentos que eu recebia sem saber o motivo, ou até ameaças, do tipo: “se teu pai me ferrar por eu não ter feito a tarefa de casa, você apanha depois”. Até um ex-aluno que perguntou se eu lembrava dele no tempo do colégio. Eu disse que não. Ele agradeceu, porque diz que me judiou bastante. Mais tarde foi meu aluno no Isbim/Fidelis e temos um relacionamento muito bom.

     O pai não era tão próximo se falarmos de sentimentos. Ele não se abria muito em relação ao que o incomodava interiormente, mas sempre estava disposto a ajudar onde fosse necessário.

     Creio que o meu pai, como todos, teve aspectos que marcaram como pontos a serem imitados. Em outras ocasiões ele tinha suas lutas. Lembro de uma ocasião onde ocorreu um problema na igreja que afetava profundamente o aspecto emocional e para ele também espiritual. Ele já estava aposentado. Ele iria pregar na próxima semana e tinha preparado a mensagem. Ele me falou o que faria na pregação. Eu disse para ele que isso não era adequado e um determinado ponto não deveria ser mencionado. A minha opinião não era o que queria ouvir e percebi que isso o afetou de maneira bem intensa. Depois de alguns dias ele estava no púlpito e eu o assistia ansioso para ver o que faria. Percebi o seu agito interior, mas o ponto em questão não foi mencionado. O pai aprendeu a ouvir os filhos na idade. Quando mais jovem, era mais difícil ele nos ouvir quando discordávamos, mas na idade aprendeu a fazê-lo. Se dizem que nada aprendemos a partir de certa idade, a vida do pai mostrou pelo menos uma exceção à regra.

Mein Zeugnis

Udo Siemens

   30 Jahre jünger als er, mein ganzes Leben habe ich diesen Mann vor mir gehabt. Erst in der Schule als Englisch- und Religionslehrer, später dann in der Gemeinde. Die meisten Menschen, wenn man mit ihnen nicht gut auskommt, kann man meiden, ausweichen. Nicht Abram Dück. Er stand da, säulenfest, mit unerschütterlichen Überzeugungen.

    Er machte sich wenig daraus, wenn die Klasse protestierte, wenn die Schüler ihren Missmut zum Ausdruck brachten, am Silversterabend das Tor zu seinem Hof umwarfen. Was er für richtig und wahr hielt, das sagte er auch, ob es nun den Leuten gefallen würde oder nicht. Es war unumgänglich, dass wir beide aufeinanderprallen würden, dass unsere Überzeugungen irgendwann auf verschiedenen Seiten stehen würden.

    Keine Sorge, ich habe eine hohe Meinung von ihm. Wenn ich in die Geschichte der MBG-Boqueirão schaue, - meine Augen schaffen einen Rückblick bis Anfang der sechziger Jahre -, dann zähle ich ihn zu den drei grössten unserer Gemeinde.

   Da steht am Anfang, soweit mein Geschichtswissen persönlich reicht, der kleine grosse Prediger Peter Hamm. Den zweiten, und das wird wohl keiner abstreiten, kommt der magere, ungeschickte und unübertreffliche Lehrer Willy Janz, nach dem sogar eine Schule – mit Recht – benannt wurde. Und als dritter eben Abram Dück.

    Was ist das Grosse an ihm? Was  ist bei ihm hervorragend? Er war sehr fleissig und immer in Rufweite. Er war auf vielen Ebenen tätig, aber nicht auf allen gleichsam wirksam. Was ist das Grosse an ihm und das ihn über viele andere herausragen lässt?

   Was würdest du, lieber Leser, besonders ihr, die ihr zur Cruz Verde gehört, was sollte deiner Meinung nach als das Grosse anerkannt werden?

   Ich möchte zuerst lieber das nennen, was nicht dazu gehört:

  • Abram Dück als Lehrer:

Ich habe viele Lehrer gehabt. Er weckte keine Leidenschaft bei den Schülern. Es war keine Aufregung in der Klasse, wenn er in Klasse kam. Er tischte den Stoff auf, ohne grosse Kreativität, ohne grosse Überraschungen.

    Bei seinem Tod bekundeten aber verschiedene gewesene Schüler, dass er ihr bedeutendster Lehrer gewesen war; was sie bei ihm gelernt hatten, sie das ganze Leben begleitet und ihnen Richtung gegeben habe. Kein aufregender Lehrer also, was er aber lehrte, kam nicht nur aus tiefer Überzeugung, sondern spross aus seinem Alltag hervor. Er lehrte, was er lebte. Er lebte, was er lehrte.

    Sein Unterricht mag uns Schülern manchmal als trocken und uninteressant vorgekommen sein, aber es drang ein, der ausgestreute Samen ging auf.

  • Abram Dück als Leiter:

    Sein jüngerer Bruder Jakob war früher reif als er, um die Gemeindeleitung zu übernehmen, wohl nicht zufällig. Warum hat es so lange gedauert, bis ihm die Leitung anvertraut wurde? Er hat in vielen Komitees gesessen, als Leiter fungierten normalerweise andere, er blieb normalerweise „nur“ Glied. Das Leiten war nicht seine starke Seite.

    Als er dann Gemeindeleiter wurde, geschah es wohl, weil sonst niemand mehr dafür da war. Er hat sich auch nie aufgedrängt irgendwelche Ehrenstelle zu besetzen. Aber er hat sich auch nie davor gedrückt, Aufgaben zu übernehmen. Wenn er gerufen wurde, war er bereit. Mit ihm konnte man immer rechnen. Wirklich IMMER.

   Eine Zeitspanne seiner Amtsperiode konnte ich nicht von der Nähe miterleben, denn ich befand mich fürs Studium im Ausland. Als ich zurückkam, Anfang 1989, war der Konflikt mit der portugiesischen Abteilung soweit gekommen, dass man sich geeinigt hatte, dass die Gruppe austreten und eine neue Gemeinde gründen sollte. Wie er diesen Prozess geführt hat, weiss ich nicht.

   Danach aber erlebte ich ihn im Vorstand als jemanden, der kleine Brötchen backt. Da gab es keine Pläne, wie man neuen Aufschwung in die Gemeinde bringen könnte, was vielleicht geändert werden sollte, um Schwächen zu beheben. Meistens waren seine Tagesordnungen sehr kurz, aber die Sitzungen dauerten trotzdem sehr lang.

    Wenn wir Jüngere aber heisse Themen auftischten, verstand er es so zu führen, dass die Diskussion nicht eskalierte oder zu Entzweiungen führten. So wenigstens sind meine Erinnerungen.

  • Abram Dück als Prediger:

Ein fleissiger Prediger war er, ein bibelgegründeter. Sein Studium in Fresno und Wheaton College hat ihn durch und durch gebildet. Da brauchte man keine Angst zu haben, plötzlich von irgendwelchen Irrlehren überrascht zu werden. Er hatte die Grunzüge der christlichen Lehre gut verstanden und seinen Hörern unermüdlich wiedergegeben.

    Hat aber jemand von ihm „unvergessliche“ Predigten in Erinnerung? Aber manches blieb sitzen. Er erzählte z.B., seine Kinder waren noch Teenager, dass man die Echtheit des Glaubens eines Mannes erst in der dritten Generation wirklich feststellen könnte. Nun, seine Söhne stehen im Dienst des Herrn und seine Enkelkinder sind auf dem besten Weg dahin.

    Abram Dück war eher ein Prediger „feijão com arroz“. Er war so fleissig, dass er wohl jeden Sonntag hätte predigen können. Ich weiss nicht, wann er Zeit zur Vorbereitung nahm, denn er hatte in der Woche mehrere Sitzungen gehabt – er sass in allen Komitees, er hat in seinem Garten stundenlang gearbeitet, dazu unzählige Unterrichtstunden in verschiedenen Schulen gegeben.

    Ich würde ihn aber nicht als „grossen“ Prediger einstufen. Vielleicht ist nun schon manch ein Leser über mich erbosst. Ich würde mich freuen, wenn ihr mir schreiben würdet und eure Ansicht erzählen. Ich veröffentliche gern Gegendarstellungen.

  • Abram Dück als Seelsorger:

   In der Seelsorge geht es darum, Menschen in ihrer Seelennot  abzuholen und im Lichte des Wortes Gottes herauszuhelfen. Wie viele von euch, liebe Leser, haben ihn aufgesucht, um irgendeine innerliche Not vorzulegen und dass er es verstanden hätte euch weiterzuhelfen? Ich habe den Eindruck, dass er seine Schwierigkeit hatte, Wärme auszustrahlen und Leidenden, Geborgenheit zu bieten. 

    Ich habe nicht oft gehört, dass Menschen ihn wegen Seelsorge aufgesucht hätten. Es ist aber auch wahrscheinlich, dass wenn es mal geschah, er dieses so geheimhielt, dass keiner was davon erfuhr. Sein Sohn Paul bemerkte, dass auf Missionsreisen Menschen ihn oft für seelsorgerliche Gespräche aufsuchten. Er machte nicht viel aufsehens von seiner Person.

    Ich hörte aber von einigen Fällen und einen erlebte ich ganz aus der Nähe. Es war ein Verwandter von mir, der Abram und seinen Bruder Jakob leblangs verflucht hat. Tut mir leid, es so zu sagen, aber ich habe dem Verwandten persönlich in seiner Aufregung zugehört. Dieser Mann kam aus einem gläubigen Elternhaus, war aber dann auf schiefe Wege gekommen. Und wenn mal das Thema "Gemeinde" aufkam, dann schimpfte er sofort los gegen die „Dücksjungen“; er sagte es auf Plattdeutsch, wie ich es nicht wiedergeben kann.

    Ich war noch Teenager und konnte mir keinen Reim daraus machen, warum dieser Verwandte eine so grosse Wut auf diese beiden Predigerbrüder hatte. 

   Bei Begräbnisfeiern war dieser Mann aber meistens dabei. Er sass auf der letzten Bank, um ja von niemandem gesehen zu werden. Wenn dann der Verstorbene zu sehr gelobt wurde, bekam man es in den nächsten Tagen mit, was die Prediger da „wieder zusammengelogen hatten, um mit ihren Lobworten diesen Sünder in den Himmel zu schieben“.

   Dieser Mann aber wurde alt, sehr alt. Es ist wirklich unverständlich, wie die Gnade Gottes wirkt. Mein Verwandter wurde bettlägerig, in allem abhängig. Ich besuchte ihn hin und wieder. Eines Tages kam die Nachricht: „Der Mann hat sich bekehrt!“ „Wie ist das geschehen?“ „Du wirst es nicht glauben. Weisst du, wen er an sein Bett gerufen hat, um seine Sünden zu bekennen? Abram Dück.“

    Ich besuchte ihn darauf und fand einen verwandelten Menschen, einen Bruder im Herrn, dessen Grabrede ich dann ein Jahr später halten durfte.

  • Abram Dück als Missionar:

   Das werden wohl viele bezeugen können, dass er missionarisch gesonnen war. In der Klasse sprach er gern über das Thema, und wenn möglich unterstützte er andere Missionare. Er war als Lehrer auch in Staatsschulen tätig und hat dort, wenn immer möglich, ein Zeugnis abgelegt.

   Als aber die Möglichkeit aufkam, in der eigenen Gemeinde durch die Einführung der portugiesischen Abteilung missionarisch tätig zu werden, da zog er sich zurück, ging in die Opposition zu uns, die wir überzeugt waren, dass es – Mitte der achtziger Jahre – höchste Zeit war, neben dem deutschen Gottesdienst auch einen portugiesischen Gottesdienst einzuführen.

    Das tat mir weh und war mir unverständlich: Wie konnte Lehrer Abram Dück, der uns leblangs das Evangelium so klar gelehrt hatte, gegen uns Jüngere gehen bei einem so klaren Auftrag des Herrn?

   Es war ein zehnjähriger Kampf, bis wir uns durchgesetzt haben. Mit der Zeit scheint er sich dann daran gewöhnt zu haben.

  • Abram Dück als Visionär:

   Hatte er einen Weitblick? Konnte er als Mann Gottes in die Zukunft schauen und vorangehen? Ich sehe ihn als einen Mann des Augenblicks, einen Mann der Tat für Heute. Was in weiterer Ferne lag, machte ihm keine grosse Sorge.

   Eines Tages erzählte er mir besorgt, dass er in der kommenden Woche zur Versammlung in einer anderen Gemeinde gehen würde, denn dort würde ein Mann sprechen, dessen Lehren zweifelhaft schienen. „Ich will mir das mal anhören“, meinte er. Am kommenden Sonntag bekannte er mir vor dem Gottesdienst: „Udo, das wird schiefgehen. Das war nicht gut, dass sie ihn dort reden liessen!“ Er sollte leider recht haben. Nicht lange danach brach die Gemeinde auseinander.

 

Worin also besteht seine Grösse? Vielleicht wirst du, lieber Leser, darauf eine andere Antwort geben und ich bitte dich dringlichst, sie mir einzusenden. Was mir persönlich auffällt und leider bei wenigen Leitern und Predigern zu finden ist:

  • Abram Dück war ein felsenfester und überzeugter Zeuge Jesu; in den Grundwahrheiten der Bibel hatte er keine Zweifel und für dieses stand er ein egal, ob es jetzt den Menschen gefallen würde oder nicht. Er war nicht vom Beifall der Menschen abhängig und kam auch ohne ihre Zustimmung aus. Er kannte das Wort und für dieses stand er ein;

  • Abram Dück war ein Wächter seiner Gemeinde, Irrlehrer und zweifelhafte Lehren hatten keine Chance in der Zeit seiner aktiven Arbeit;

  • Ihm wurde ein langes Leben gegönnt, er hat es bis zuletzt ausgenutzt. So lange er konnte, und das war lange, war er fleissig, sehr arbeitsam und immer dienstbereit.

  • Seine Beständigkeit in der Hingabe an diese eine Gemeinde hat er der Gemeinde grossen Dienst getan und sei es oft schon nur durch seine Anwesenheit.

  • Seine Demut, eine Episode noch aus der Schulzeit: Er rief mich, wohl 16jähriger Bursche, an die Tafel, um eine Englischaufgabe zu lösen. Ich kam damit nicht zurecht und offenbarte meinen Widerwillen durch unverständliches Murmeln. Ich weiss nicht, was er davon verstand, aber dieses ärgerte ihn so sehr, dass ihm der Kragen platzte und er mich vor der ganzen Klasse beschimpfte. Ich setzte mich, die Stunde war gleich aus, und er verliess den Raum. Noch bevor die nächste Stunde begann, stand er plötzlich vor meinem Stuhl, bekannte, dass es ihm leid tat, wie er gehandelt hatte und bat mich um Vergebung. Das hat mich wahrscheinlich so sehr beeindruckt, dass ich es nie vergessen habe, 50 Jahre danach.

   Die  Helden der Bibel haben Licht- und Schattenseiten, sie sind fehlerhaft. Auch dieser Held hatte in meinen Augen beide Seiten. Zweifelsohne aber überwiegen bei weitem die Lichtseiten, die den Ruf dieses Bruders und Predigers über den Tod hinaus begleiten werden.

    Ich zolle ihm meinen höchsten Respekt und möchte hiermit sein Andenken ehren.

Da esquerda para a direita: filho Arthur, sua esposa Mariane e filhos David e Amanda; Elvine, esposa do filho Hugo e filha Marta; Daniel e Irene, filhos de Paul e Johanna e bem à direita Doris com seu marido Franz.

Sentados: Doris e Abram Dück

 

 

 

 

 

 

 

 

Pastor Francisco Wiens, pastor da igreja Evangélica Irmãos menonitas Bairro Novo (Boas Novas) aceitou meu pedido.

 

Abram Dück

   

   Fui desafiado a escrever algumas lembranças da vida deste homem. A primeira coisa que me veio à mente foi o título de seu livro: Um peregrino a serviço do Senhor na Igreja e na Comunidade. Esta frase: a serviço do Senhor. Assim foi a vida dele.

   Me lembro quando era adolescente e estudava no Colégio. Ele tinha recém voltado dos Estados Unidos e como ele falava daquele país. Como um país da maravilha. Não havia roubos nem assaltos. E como trabalhavam.

   Aí ele nos ensinava religião e inglês e alemão. Com muita dedicação. Ele queria ver aqueles adolescentes andando no caminho com Jesus. Antes de começar a aula de manhã ele já havia trabalhado na sua plantação. Mais tarde, me tornei seu colega de profissão e trabalhamos juntos em alguns colégios.
   Os anos passaram e eu me tornei líder de adolescentes e jovens da Igreja do Xaxim. Começamos a organizar retiros, pois o prof. Willy Janz nos incentivava. Porém o pastor Abram Dück achava que estávamos gastando demais fazendo retiros em Biguaçu, Santa Maria e assim por diante e isto nos levou a alguns atritos. Mas nada que nos separasse do amor de Cristo.

  Porém o Pastor Abrão tinha missões em suas veias. E isto muitas vezes me motivou a seguir neste caminho. Se fiz muitas viagens missionárias é porque o exemplo dele e de outros homens me motivou.
  Uma experiência marcante foi quando ele vendeu um terreno para o Nichele Materiais de Construções, e o dono desta loja um dia me disse: “Este homem tem missões em sua veia. Ele me vendeu o terreno e uma parte disto vai ser aplicado para construir igrejas em Santa Catarina. Ele deixou uma parte do dinheiro na loja, para que estes mandassem o material para os locais e lá ele ajudava construir igrejas.” Ele marcou a vida daquele homem.

   Abrão peregrinou em muitos lugares, e sempre tinha uma mensagem da salvação para proclamar aos outros. Precisamos mais peregrinos com a mensagem da salvação.

O ancião com seus colegas pastores da Cruz Verde. Da direita para a esquerda: Altair Born, Friedbert Kroeger, Siegfried Wedel, Paul Dück, Abram Dück, Pr. Marcio Rempel (Missão do Céu, de visita em sua igreja mãe); Arthur Dück, Albert Krüger e Udo Siemens. Em 2008 ou 2009

 

Pr. Valdemar Kroker, tradutor e revisor de Edições Vida nova:

 

Tributo ao “Onkel Bram”

Há três semanas, o tio Abrão Dück (irmão de minha mãe Erna) foi dormir no domingo à noite como em tantos domingos de sua longa jornada de mais de 96 anos. Na segunda-feira, a tia Doris até tentou, mas não conseguiu acordá-lo, nem com a ajuda do filho Paul. Decidiram deixá-lo dormindo; talvez ele fosse repetir o que já tinha feito antes, aproveitando a cama até o meio dia. Afinal, tinha direito, depois de tão bem aproveitar a saúde e as forças para tanto trabalho na caminhada.

Lá pela hora do almoço, talvez um pouco depois, ele resolveu acordar ... lá.

Na verdade, Ele resolveu.

Que legado gigante deixa o pai de Paul, Arthur e Hugo, tio amado meu e de dezenas de sobrinhos! Até parece que viveu 200 anos.

Durante muitas décadas foi professor de inglês, alemão, Bíblia, ensino religioso, história; pastor por vários períodos da Igreja Irmãos Menonitas do Boqueirão; além de — e antes de tudo isso — marido e pai/sogro e avô que honrava esses papéis e neles era honrado.

Ah, e ainda era agricultor. Plantava principalmente pra família e pra distribuir entre parentes e necessitados (e até pra quem vinha colher sem permissão...).

Coração e bolso sempre abertos e carro em ordem pra viajar e apoiar trabalhos missionários.

E “tempo ruim” não tinha no seu dicionário. Sempre pronto pra contar uma boa piada ou lembrar de uma grande história, até do tempo na Rússia/União Soviética, mesmo tendo saído de lá com apenas seis anos de idade.

Nas comemorações de Natal da família Dück, com 60 ou 70 pessoas reunidas, todo mundo já sabia que, a certa altura, entre uma “Noite Feliz” e outra música, ele declamaria aquela loooonga poesia natalina. E fez isso até poucos Natais atrás.

Perdeu sua mãe muito cedo, antes dos seis anos de idade, ainda do outro lado do Oceano. Mas lembrava de como ela, antes de morrer, o tinha chamado e dito: “Quero ver você no céu, está bem?”

E agora lá estão os dois festejando juntos, com os da família que também já foram; e ele, já impaciente, reclamando por que os outros não chegam.

Calma tio, tem muito trabalho aqui ainda. Ainda tem muita gente pra levar.

Gratidão.

Valdemar Kroker (3jul2020)