Hildegard Badensia Wieler

       Ihre Tochter Ruth Fedrau, Kanada, schreibt:

      Alles begann mit meiner Oma und Opa Jacob und Katarina Pankratz, die Eltern meiner Mutter. Sie flohen aus Russland und dem Kommunismus und landeten einige Monate als Flüchtlinge in Deutschland. Dann wurden sie nach Brasilien verschifft. In dieser Zeit, 1930-1934, fuhren 13 Schiffe mit Mennoniten nach Brasilien. Auf einem von ihnen waren meine hochschwangere Oma und Opa mit einer dreijährigen Tochter. Das Schiff hieß Baden und verließ Hamburg am 22. Februar 1930. Am 10. März 1930 wurde meine Mutter auf diesem Schiff geboren.

      Am nächsten Tag kam der Kapitän des Schiffes und gratulierte ihnen zur Geburt des Neugeborenen. Er fragte, wie sie das Kind nennen würden. Meine Oma sagte, sie wird Hildegard heissen. Der Kapitän sagte, es sei üblich, dass ein auf dem Schiff geborenes Kind nach dem Schiffsnamen "Baden" benannt werde. Das war kein Name für ein Baby. Nach langem Hin und Her entschieden sie sich für einen Namen, der brasilianisch klingt, aber auch den Namen des Schiffes berücksichtigt. Drei Tage später landeten sie in Rio de Janeiro. Von dort fuhren sie mit einem viel kleineren Schiff weiter nach Itajai, Santa Catarina, Brasilien. Drei Monate später erhielten sie eine Geburtsurkunde aus Hamburg, in der das auf diesem Schiff geborene Kind Hildegard Badensia Pankratz genannt wurde. In Mamas ganzem Leben hat sie noch nie von jemandem mit diesem Namen gehört. Aus diesem Grund fühlte sie sich immer besonders.

      Dieses kleine Mädchen wuchs auf und ging schließlich zur Arbeit nach Curitiba, wo sie meinen Vater Pedro Wieler kennenlernte. Sie heirateten im Jahre 1950. 1952 wurde mein ältester Bruder Harry geboren. Zwei Jahre später wurde ich geboren. Als ich ein Jahr alt war und er fast 4 Jahre alt war, gab es einen schrecklichen Unfall, als Harry in einen offenen Brunnen fiel und starb. Diese Episode im Leben meiner Eltern war verheerend. Danach wurden drei weitere Jungen geboren:  Werner, Georg und Claus. Im Jahr 1961 wurden meine Eltern in der MBG Boqueirao, Curitiba, getauft.

      Meine Mutter, eine sehr starke und gesunde Frau, war auch sehr glücklich und zufrieden. Sie hatte einen fabelhaften Sinn für Humor, und sie war hart mit uns, wenn es um Schularbeiten ging, oder wenn sie zur Schule musste, um unseretwegen Anfragen zu beantworten, und wenn es darum ging, ein Huhn zum Abendessen zu schlachten oder uns zu verprügeln oder eine Schlange zu töten. Das waren immer Mutters Aufgaben. Sie war auch eine sehr gute Köchin und hielt das Haus sauber und uns in sauberen Kleidern.

     1982 wurde das erste Enkelkind meiner Eltern geboren. Bevor es ein Jahr alt war, starb mein Vater, als Mutter erst 53 Jahre alt war. Sie war sehr auf meinen Vater angewiesen und vermisste ihn sehr. Aber mit der Zeit eroberte sie ihre Unabhängigkeit. Sie verbrachte viele Tage damit, sich um die Enkelkinder zu kümmern.

     Ungefähr 2001/2002, als das alte Bauernhaus auseinander fiel, zog sie in ihr neueres Haus und ungefähr 10 Jahre später, ungefähr 2012, zog sie aus eigener Entscheidung in das Lar Betesda in Curitiba. In den ersten Jahren im Seniorenheim genoss sie Besucher, Gottesdienste, Kartenspiele, Spaziergänge, Ausflüge, half bei kulinarischen Projekten und Kunsthandwerk, las und übte Kurse. Langsam verschlechterte sich ihr Gesundheitszustand und sie brauchte immer mehr Hilfe, bis sie in den letzten Monaten, seit Mai dieses Jahres, in die 24-Stunden-Pflegeabteilung des Hauses verlegt wurde. Ihre Gesundheit verschlechterte sich von Tag zu Tag, bis schließlich am 25. November dieses Jahres ihr Herz stehen blieb und sie in die Arme unseres Herrn überging. Unsere und ihre Gebete wurden endlich beantwortet!

O neto Rodrigo Wieler, filho de Georg Wieler,  conta a sua lembrança da Oma:

"- A tua mãe tá lá?"

Era assim que ela, toda atrapalhada, ligava lá para casa e pedia para falar com a minha mãe. Eu e meu irmão achávamos o máximo as trapalhadas linguísticas dela, que sempre falou melhor alemão do que português. Ou melhor: alemão, não, Plattdeutsch!

Talvez fossem palavras que faltavam a ela quando olhávamos bem nos olhos dela, após um beijão daqueles e dizíamos "Te amo, Oma!". Para receber, como resposta, invariavelmente, apenas um:

"- Tá!".

Até porque duvido que ela não nos amasse. Amava. Mas daquele jeitinho todo particular dela. Amar, para ela, era buscar eu e o Rafael na escola uma vez por semana, sempre com um iogurtinho de presente no porta-luvas do Fusca 78 caramelo.

Aquele mesmo que ela quase enfiou debaixo de um caminhão em 1991, comigo e meu irmão a bordo, acidente no qual eu levei a pior e arrebentei a minha cara, ironicamente, contra o mesmo porta-luvas que era nossa arca dos tesouros. Criança de 9 anos no banco da frente, sem cinto.

O que me fez, a partir dali, exigir ir no banco de trás do novo Fusca, o branco. Ia rezando, hoje posso confessar. Literalmente. Rezando pela nossa vida e pela vida dela a cada rua preferencial que ela furava ou a cada rápida que ela precisava cruzar. Mas como ela nos amava, do jeitinho dela, ainda nos apanhou muitas e muitas vezes no colégio.

Amava todos os netos, sim. Quantas vezes, por semanas a fio, levou o meu irmão até São José dos Pinhais para a massagem terapêutica dele e ficou esperando, do lado de fora, para trazê-lo novamente para casa depois?

Quantas vezes cuidou de todos nós? Em sua casa ou até na nossa. Lembro muito bem de uma noite em que ela ficou com a gente para meus pais saírem. Passava "Pedra sobre Pedra", da Globo, que ela assistia com um olhar de reprovação, enquanto intercalava pedidos para que não olhássemos para a tela. Para uma alemã da nhanha como ela, a novela era pesada demais para crianças de 6 e 10 anos. Pode ser.

Mas o legal mesmo era quando íamos na casa dela. Na casa da Rua Derosso ou na última, era certeza de sairmos de bucho cheio. Café com leite? Só sem adoçar! Doces eram as bolachas de mel com açúcar de confeiteiro polvilhado, sempre no pote de vidro da despensa. Doces também eram os ovinhos de Páscoa escondidos pelo Coelhinho no jardim dela, para nós, netos, procurarmos.

E os outros quitutes, então? Lembro agora, de cabeça, sem fazer muito esforço, do bolinho de salame blumenau com espinafre, das cucas de banana e de maçã, do macarrão com queijo, da salada de acelga com passas, nozes e nata, da sopa de "moranguinhos" (as amorinhas do quintal dela) e dos porcos assados. Lembro até de uma trouxinha de maçã e ruibarbo deliciosa que ela fazia e que eu nunca aprendi o nome, "Presti", acho. Ah, e claro, dos dois maiores símbolos da culinária da Oma: "Kanell Rolan" (Zimtschnecken - chineque de canela) und Zwiebach.

Aliás, quando eu estava para me casar com a Bárbara, cismei que queria que ela me ensinasse a fazer os famosos Zwiebach. Queria eternizar a receita, sei lá. Foi uma tarde deliciosa que passamos junto dela. Rimos muito, ajudamos, tentamos e saímos de lá com a certeza de que eu jamais seria capaz de conseguir fazer aqueles benditos pãezinhos.

Porém, a culinária dela deixou ao menos uma marquinha aqui no reino: temos o "patê da Oma", um picadinho que ela fazia e nós reproduzimos de vez em quando por aqui, que vai presunto, queijo, picles de pepino e tomate, misturados com maionese. Claro que ficava muito melhor acima dos Zwiebach feitos por ela, mas dá pro gasto.

Como a estante da sala de baixo aqui de casa, que será para sempre "o móvel da Oma". Ainda mais agora.

Desde há muito ela foi perdendo a alegria. E aquela alemãzona forte, aparentemente sempre emburrada - que em nossa infância suavemente cantava para nós, com sua fininha voz de coral, "Hänschen klein ging allein in die weite Welt hinein..." - já não cantava mais.

Parou de dirigir.

Foi deixando de ler o Das Beste.

Talvez o Bibel und Pflug ela ainda lesse lá no Altenheim.

Daí ganhamos uma nova "Oma de bengala".

Até que não falava mais português. De novo, só alemão, como na infância dela, no interior de Santa Catarina.

E, por trás daqueles óculos e cabelos branquinhos, branquinhos, já não nos reconhecia mais.

Agora é ela quem "tá lá". Lá no céu, junto do Opa que nos deixou quando eu não tinha ainda nem um ano.

Muitos vão lembrar do dia 25/11/2020 pela morte do Maradona. Eu lembrarei do dia em que perdemos a nossa Oma Wieler.

Ruhe in Frieden! Danke, Oma!