Viagem Missionária de Victor e Monica Dück para Lábrea, Amazonas

Privilégio Inexplicável
Segunda feira , 09 de março, decolamos em Manaus as 8:00h no avião da Missão do Céu Marcio e Arthur (pilotos) estavam levando Joel e a mim ( para Lábrea, uma pequena cidade no interior do Amazonas, conhecida como o destino final da Rodovia Transamazônica e situada ás margens do rio Purus. Chegamos às 10:00 h no diminuto aeroporto, aonde dois missionários da MEAP (Missão Evangélica de Assistência aos Pescadores) já nos esperavam. Seguimos numa camionete até o flutuante da missão, amarrado a margem do rio sobre enormes troncos a construção de madeira abarca a casa do vigia, espaço para reuniões, banheiros, cozinha e oficina).
Após descarregar o material e conhecer o local, fomos almoçar. Na conversa à
mesa, Walter, pastor em Lábrea e também atuante no cuidado pastoral dos missionários da MEAP, comentou que sua esposa estava doente precisando s e trata r em Manaus. Márcio de imediato lhe perguntou se não gostariam de aproveitar o voo de retorno . Poderiam fazer as devidas consultas e exames até quinta feira , retornando para Lábrea na sexta, quando nos viriam buscar. Walter ligou para sua esposa e em poucos minutos aprontaram as malas e aproveitaram a oportunidade única. Coisas que Deus faz.
Após o almoço, voltamos para o flutuante. Estavam ali 18 pessoas envolvidas com o ministério da MEAP esperando pelo treinamento de manutenção de motores . Parte desse grupo veio de Pauini, outra pequena cidade que dista dois dias de barco de Lábrea.
Iniciamos com uma devocional. Se Jesus nos ensina: “sem mim nada podeis fazer”, sem sombra de dúvida, isso também inclui a manutenção de motores. Pudemos compartilhar e aprende r com esses irmãos e irmãs preciosos.
Quando estes irmãos levam o conhecimento da Palavra de Deus às pessoas que moram em comunidades ribeirinhas, navegando entre locais distantes entre si, é fundamental investir em correta manutenção d os motores. Além do próprio benefício , o conhecimento da manutenção proporciona oportunidades para abençoar outros. Ao ajudá-los a solucionar problemas com as máquinas, pode m construir confiança e relacionamentos que permitam encontrar soluções ainda mais profundas : “E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (João 17:3)
Foi uma semana de ensino e aprendizado. Vivenciamos h oras preciosas como
grupo e também com algumas famílias individualmente . Abençoamos e fomos abençoados , encorajamos e fomos encorajados, servimos e fomos servidos, compartilhamos e recebemos muito mais, ouvimos e conversamos, rimos e choramos, oramos juntos, conhecemos e aprendemos a amar novos rostos da noiva de Cristo. Deus tem nos d ado o privilégio inexplicável de participar do avanço de Seu Reino . Avanço que consiste em que todos os povos o adorem! Porque a terra se encherá do conhecimento da glória do Senhor, como as águas cobrem o mar” (Habacuque 2:14)
Forte abraço,
Victor
com Mônica, Samuel e Gustavo

Flutuante da MEAP em Lábrea. Barco grande atracado ao lado, serviu de dormitório e refeitório para os participantes do treinamento.

Treinamento utilizando o motor de rabeta de um missionário

“Sr. Peixinho”, George e Diogo, acompanhando as músicas

Equipe maravilhosa que participou do treinamento

DEVOLVENDO OS PÃEZINHOS

 

Deus me impressiona com a forma com a qual nos permite participar do seu Reino. Lembro do menino que ofereceu seus cinco pãezinhos e dois peixinhos a Jesus, este os abençoou e transformou em fartura para uma multidão, incluindo o feliz menino.

 

Durante o tempo em Lábrea, a cada noite fomos convidados por uma família de missionários, para lanchar/jantar com eles. Tempo de ouvir, de encorajar, de testemunhar, de comunhão, de oração. Sem formalidades, num bate papo descontraído em volta da mesa.

 

Chegamos na casa de uma família, fomos bem recebidos. A mãe estava junto com um dos filhos, fazendo tarefa de casa. Ficou notório que havia uma forte tensão entre as exigências da tarefa e a estrutura do menino.

 

Durante o jantar, um dos assuntos foi a Educação Domiciliar. Nós praticamos a educação domiciliar em casa e eu pude falar dos benefícios que enxergamos nessa modalidade de ensino e formação. A mãe nos falou da dificuldade de seu filho na escola, por ser autista. Encorajei o casal a fazer Educação Domiciliar, uma vez que esse método é moldável de acordo com o perfil da criança. Compartilhei um pouco da nossa experiência, incluindo os medos e receios iniciais, e também os excelentes resultados que já enxergamos.

 

Dois dias depois, o pai me contou que haviam iniciado a Educação Domiciliar. Coloquei a mãe em contato com a Mônica, para “trocarem figurinhas”. Depois de uma semana, o filho declarou para sua mãe: “essa foi a melhor semana da minha vida”. A mãe testemunhou: “foi Deus que colocou vocês em nossa vida! ”

 

Numa outra noite lanchamos com um casal da missão. Um casal maduro, ainda sem filhos. Depois da conversa dar várias longas voltas, veio a questão de filhos. Compartilharam conosco que gostariam muito ter filhos, mas não conseguiam engravidar. Estavam agora no processo de habilitação para adoção.

 

Na minha cabeça voltou o filme da nossa história familiar e resolvi contá-la: Impossibilitados de termos filhos biológicos, a dor das sempre repetidas frustrações, as dúvidas interiores, as palavra de maldição ouvidas sobre a adoção, o início do processo de adoção, a dificuldade de preencher um perfil para a criança desejada, a dúvida: Deus nos quer sem filhos?, as palavras de encorajamento, a palavra da assistente social de que nunca vem uma criança com o nosso perfil... . Depois de um tempo de espera a ligação do juizado: “há um menino disponível para adoção, com o perfil que vocês colocaram. O nome dele é Samuel. Vocês querem conhecê-lo”? Uau, até no nome desse menino Deus nos deu a certeza de que é Ele que escreve a história da nossa família.

 

Ao conversar com Deus, enquanto Samuel tomava a mamadeira no meu colo, entre muitas coisas falei: “Seria legal se a história da outra criança que o Senhor colocar na nossa família fosse parecida com a do Samuel” (sem qualquer informação da família biológica). Falei isso porque pensei em evitar frustrações futuras de um saber de sua família biológica e o outro não. Não é que a história do Gustavo é igual a do Samuel? Deus fez com que outros na nossa frente desistissem de adotar o Gustavo, para que ele viesse a nossa família. Como disseram os magos a Faraó: “Isto é o dedo de Deus”! Êx.8,19.

 

A conversa foi longe, entre risos e lágrimas. Oramos e abençoamos esse casal e os filhos que Deus lhes dará. A última frase da noite: Obrigado pelo encorajamento!

 

Eu me sinto como aquele menino. No nosso caso nós havíamos recebido os cinco pãezinhos e os dois peixinhos de Deus. Apenas devolvemos aquilo que Ele nos deu. O milagre é Dele. Toda glória a Ele pertence.

 

Forte abraço,

 

Victor, Monica, Samuel e Gustavo