Missionária Menonita entre os Yanomamis

Olá, meu nome é Sofia Hubert Janzen Federolf, sou filha de Hugo e Regina Janzen da Colônia Nova e esposa de Benoni Federolf, que é filho de Reinhold e Traudi, missionários da “Chamada da meia Noite”, de Porto Alegre.

Sou da 1ª Ig. Ev. Irmãos Menonitas da Colônia Nova-Rs. Vou contar um pouco quem somos e onde estamos.

Há alguns anos o Senhor despertou e chamou meu coração a servi-lo entre povos que pouco ou nada conhecem sobre Ele e sobre o evangelho. Tive a oportunidade de participar de muitos projetos missionários em diferentes lugares. Então decidi ir para o Instituto Missionário Palavra da Vida-Norte em Belém no Pará. Onde o Benoni e eu cursamos Teologia com ênfase em missões transculturais durante 3 anos. Após o seminário, nos casamos, e fomos servir a nossa igreja local na Colônia Nova durante três anos muito especiais para nós, junto aos nossos amados irmãos e amigos. Deus nos deu o privilégio de fazer discípulos dEle ali, além disso também nos preparou para o nosso futuro campo missionário. Ele nos direcionou, nos deu paz na decisão de ir e dedicar nossas vidas em meio a um povo isolado e não alcançado. Mesmo com o coração apertado de “sair de nossa casa e parentela”, fomos em obediência e total dependência do Senhor, porque confiamos naquele que nos criou, salvou e chamou.

Conheça a MEVA

Deus nos chama; (a você que está lendo e a mim) a fazer discípulos. Discípulos, de todos os povos, tribos, línguas e nações. Seja em um lugar isolado, ou aí mesmo onde você vive.

Em nosso país, ainda existem alguns povos não alcançados, tivemos o privilégio de conhecer alguns deles; os ribeirinhos, o sertão nordestino, quilombolas, indígenas e outros. Deus nos guiou a vir e viver entre os indígenas isolados, e ser luz entre eles, que ainda vivem em tanta escuridão. Muitos povos indígenas ainda não tem presença missionária, não tem a Bíblia em sua língua e pouco acesso ao evangelho. Por isso, com o apoio de nossa igreja e irmãos, viemos e nos juntamos a uma agência missionária que atua a muitos anos no alcance de indígenas. A Missão Evangélica da Amazônia (MEVA), nos recebeu e nos dá todo o suporte que precisamos para viver na aldeia na qual hoje vivemos na mata amazônica.

Para que pudéssemos vir, Deus moveu nossa Igreja e também levantou pessoas que “vestiram a camisa” com a gente, e além de nos apoiarem com suas orações, nos apoiam todo o mês financeiramente. Vemos a graça e cuidado do Senhor através de cada um deles.

O Povo Yanomami, com o qual vivemos desde abril deste ano, vive no extremo norte do Brasil, e na Venezuela. Vivem isolados, falam sua própria língua e dialetos e ainda mantém muito da sua própria cultura. Moram em aldeias espalhadas pelas matas, nas beiras dos rios em grandes malocas. Vivem da caça, da pesca, do beiju (comida preparada com mandioca)...

Estamos morando com eles numa aldeia, que fica no Estado de Roraima. Para chegar até lá, somente com avião da missão Asas de Socorro, ou pelos rios, por muitos dias na canoa. Nesta aldeia, o missionário Curt Kirsh já trabalha há alguns anos; foi ele que fez a pista para o avião lá, a escola local, o posto de saúde... Também estão morando ali, John e Valerie Brown e seus filhos.. e agora nos juntamos a essa equipe. Eles começaram a construir uma casa para nós, e neste ano o Benoni se juntou a eles para a construção. Estão quase finalizando a nossa (linda) casa, toda de madeira.

Ficamos alguns meses na aldeia, tivemos momentos bem impactantes conhecendo o povo, como eles vivem, como pensam e agem. Não estamos ali para mudar a sua cultura, mas para servir, ser luz, ser benção.. nosso lema de vida é “conhecer à Deus e torná-lo conhecido” na simplicidade do dia a dia junto com eles.

Um pouco do nosso dia a dia: acordamos cedo, fazemos o contato pelo rádio com os outros missionários que estão nas aldeias, e com Asas de Socorro.  Eu (Sofia) pelas manhãs auxilio na escola local e aprendo muito com eles também. Enquanto isso, no momento, o Benoni tem-se dedicado à construção, à manutenção e outras coisas que surgem no dia a dia, como por exemplo a pista para o avião, ela precisa estar sempre com a grama toda cortada, então também é uma das funções dele. Durante o dia, fazemos e recebemos muitas visitas. E estudamos muito a língua falada ali.  Estamos felizes por já entender e falar algumas frases na língua deles.

Para que você possa ver um pouco da realidade na qual eles ainda vivem, vou escrever aqui um relato de algo que presenciamos entre eles:
"O dia estava bonito, tudo tranquilo, de repente muitas pessoas gritando.. fomos ver.. todos correndo, mulheres, crianças..e, os homens jovens indo pegar suas flechas.. e correndo em direção à mata.. perguntei pras crianças," witi pi? o que é? o que está acontecendo?  eles falaram mas não entendi, fui perguntar para a Val, missionária que vive lá, ela disse: ah estão dizendo que o" inimigos" estão vindo aí; isso pode significar outro povo, ou os espíritos..  mais tarde uma senhorinha veio muito assustada dizer que o neto jovem dela estava quase morrendo e muito ferido pelos "inimigos". O missionário foi até ele pra ver, e não viu nada nele, nem machucados .. vimos nesse e em outros muitos momentos o quanto ainda vivem em meio a muita escuridão, medos e angústias.

Nossa oração e esperança é que um dia eles também possam afirmar: "O Senhor é a minha Luz e a minha salvação, de quem terei temor? O Senhor é o meu forte refúgio, de quem terei medo? Salmos  27:1

Nos próximos dias, mais uma vez, iremos sobrevoar a imensidão da mata até as aldeias Yanomamis... para viver a  vida que Deus nos chamou a viver.. tão distante e em meio a uma cultura tão diferente da nossa, mas também em perfeita paz e animados por termos a certeza de que o mesmo e único Deus que nos chamou das" trevas para sua maravilhosa luz", está conosco e também tem chamado os indígenas isolados para o seguirem.